Boa noite professoras. Como dizia Chacrinha que deus o tenha ao lado de muitas chacretes rebolantes: "Eu não vim para esclarecer, vim para confundir" e assim, aí vai mais uma provocação...
Algumas vezes vamos ao museu e ficamos lá, boquiabertos com o que nos está exposto. Outras vezes, fora do museu, passamos frente a manifestações artísticas muito especiais, e nem as percebemos, não a significamos enquanto arte. Quanto disso se deve ao museu, que condiciona nossa posição frente a arte???? Pois vejam, não apenas o museu produz isto, mas outros espaços destinados às outras linguagens artísticas, também o faz. Emolduradas pelo teatro luxuoso, ou pela "casa de concertos", assistimos a música, a dança, e ao teatro.
O jornal The Washington Post pretendendo lançar um debate sobre valor, contexto e arte, fez a seguinte experiência: colocou em uma estação de metrô um jovem encostado próximo à entrada, vestindo jeans, camiseta e boné, como qualquer outro sujeito. O moço tirando um violino da caixa começa a tocar, coisa bastante comum nos metrôs da Europa, e Estados Unidos. Era hora do rush matinal e entusiasmado ele toca para a multidão que passa por ali apressada. A experiência na estação durou 45 minutos e o jovem foi praticamente ignorado pelas pessoas.
Acontece que o desconhecido violinista se trata de Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, que havia executado naqueles 45 minutos, peças musicais consagradas num instrumento raro, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia feito seu concerto no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam até 1000 dólares.
A experiência foi gravada em vídeo, e a "invisibilidade" do músico e da música naquele contexto é impressionante, as pessoas saem em manadas do metrô, atravessam a estação seguindo o curso da vida na cidade. O e-mail que recebi contando esta história, e que transformei nesse texto, diz que a conclusão é: "estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. "
Verdade, dispostos a ver ou ouvir arte nos seus altares, não conseguimos percebê-la na vida. A outra questão sobre o contexto da arte e que a experiência mostra, é que, quem vai a estes lugares ver arte, no museu ou nos teatros -seja dança ou dramaturgia, sabe bem o que ouvirá ou o que verá, sabe ainda, quem fará ou fez o que está ofertado naquele espaço. Como diz o Bourdieu, na porta do museu poderia estar escrito, "que aqui só entre quem for amador da arte" (O PODER SIMBÓLICO, 2005), na porta da casa de concerto parece que daria para escrever também . Ao contrário disso, no metrô, as pessoas podem não ser os tais amadores, ou se são, estão dispersos neste outro contexto, ou ainda, pode ser que preconcebam a arte fora do espaço da moldura.
O vídeo da apresentação no metrô está no You Tube, basta clicar e assistir, bom concerto no metrô de Boston:
http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw
Era só pra pensar, obrigado por ter lido e BOM FIM DE SEMANA A TODOS OS MERECEDORES DO DESCANSO!
Luciano Buchmann, Pólo Arte na Escola da FAP.
Este foi o e-mail que recebi, bem provocador, para um professor de Arte, agora vou pedir pra você ir além do pedagógico, pare e pense na sua vida, na sua importância:
Meus amigos, então pare e pense será que A Arte imita a vida ou a vida imita a Arte?
Quem diz pra você que você é importante?
"estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. "
Qual a sua moldura? Qual a sua grife? Quem escolhe a sua vida? Pense nisso?
Beijos, uma boa reflexão e um bom final de semana a todos