A arte de saber sorrir.
E de fazer sorrir.
(Cristina Moraes Vojvodíc. Retratos de família. 1998, pag. 45-47)
Dor? Que nada. O que sinto é uma irritação tremenda. A vida é complicada, ninguém se esforça para nada são todos uns irresponsáveis e incompetentes, o trânsito é uma verdadeira tortura, o salário é baixo, minha mulher estourou o cartão de crédito, entrei no negativo outra vez, meu time perdeu esta semana, o pneu furou a caminho do escritório e o chefe está atacado. É pouco ou quer mais?
Agora, nada disso importa tanto. O que me irrita mesmo, mais que tudo é o Lessa, aquele que trabalha comigo, aquele cuja mesa fica inexoravelmente estacionada bem de frente para a minha. É o sujeitinho mais irritante que já tive a infelicidade de conhecer. Sabe o que ele faz o dia inteiro? Ele ri.
Sei lá se é tonto ou se é louco, mas o fato é que ele ri. Não desbragadamente, como quem assiste a uma comédia. Um risinho pequeno, quase só um levantar dos cantos da boca. Um risinho sem grandes pretensões, mas que se espalha até os olhos.
É todos os dias a mesma coisa “Bom dia!”, e parece que já está me desafiando. Bem que eu tento: já começo logo com as piores notícias e com as mais trágicas previsões. E o Lessa responde. Devagar, sem pressa, achando pouco a pouco um lado positivo a ser notado, encontrando sempre uma brecha em meu catastrofismo.
E não pense que ele faz isso de qualquer jeito, faz mesmo com classe, com argumentos palpáveis e razões convincentes.
Quando me dou conta, lá estou eu concordando que nem tudo está perdido e que talvez haja alguma coisa que eu, pessoalmente possa fazer para concorrer para a solução de tantos problemas. É o fim da picada! E ele ri.
O pessoal adora o Lessa. Vira e mexe tem um que se aproxima e lhe pede opinião sobre uma questão e o convida para um café. Tudo desculpa. O que querem mesmo é deixar-se contaminar pela risadinha do Lessa. Não digo sorriso, porque essa palavra que faz pensar na Monalisa, toda enigmática. O Lessa não tem nada de enigmático. Ao contrário. É profundamente franco. Não que fale muito, mas, quando olha para alguém, olha de fato. E ri.
Ele me irrita, não tem jeito. A verdade é que até as dez, mais ou menos eu não posso nem olhar para a cara desse fulano. Depois melhora um pouco, e até me lembro de puxar um papo! Sei que ele anda com um dos filhos doente e que por isso a sua mulher teve que parar de trabalhar. Aí a grana ficou curta é claro. Mas o Lessa tira de letra. Acho que ninguém jamais ouviu uma reclamação da parte dele. Ele se abre, sim, e conta essas coisas a um ou a outro, mais chegado – a mim inclusive! –, mas sem fazer disso um abalo sísmico ou uma tragédia grega.
Ele é um cara e tanto, não resta dúvida.
Pronto. Só pode ser meio dia. Não disse? Cravado no relógio. Quando chega essa hora é fatal. Já começo a perder terreno e a enxergar as coisas sob um prisma menos negativo. Já consigo ver até qualidades nas pessoas e nos acontecimentos. É o efeito Lessa. Contamina mesmo. As quatro da tarde então, já começo até a brincar com os outros e a assobiar baixinho, só para mim...
Meu caro Lessa, a verdade é que minha mulher e meus filhos nem sabem quanto devem ao seu bom humor calmo e contagiante. Quando chego em casa, cansado, mas com sincera vontade de compartilhar momentos e idéias, eles nem imaginam que isso seja resultado do efeito Lessa. Eles pensam que o bem humorado sou eu e me admiram por chegar ao fim do dia fazendo cara boa para a vida. Eu não os desminto e, como quem consegue ver grandeza da vida por trás de todas as pequenezas, rio eu também.
Obrigado Lessa meu amigo.
Você...
Com pensamentos azul,
Com nuances lilazes e rosas
todo quieto e calmo.
De sorriso transparente.
Você...
Com esse jeito de tudo saber
e a todos compreender.
De sentimento e emoção
guardado no peito.
Você ...
Que em horas precisas,
sabe o que vai na minha alma,
sem nada perguntar
e tudo perceber.
Você...
com este olhar sincero
a transmitir carinho, bondade e amor,
existente em abundância
em seu coração.
Você...
Só você...
Tem o meu simples muito obrigada
com toda devoção, carinho e amor.

Autora: Vilma de Souza (24/06/08)
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